segunda-feira, 5 de maio de 2008

''Sinto tudo o que digo mas nem sempre digo tudo o que sinto''


Basta um mero toque teu para eu ganhar asas e voar para esse mundo só nosso onde o sorriso puro habita o meu rosto.
Acorrentaste-me neste local onde a tristeza é a minha única companhia e a felicidade uma mera ilusão.
O desejo de atingir o inatingível, faz-me viver o presente ansiando pelo futuro longínquo onde tudo finita e os meus olhos se cerram para todo o sempre.
A corrente de lágrimas inunda o meu espaço petrificando o meu corpo. E subitamente, a raiva e a fúria apoderam-se do meu peito convertendo-me num ser que desconheço. A mágoa proveniente da tua eterna ausência não faz com que te veja de uma forma desigual que outrora vi, simplesmente transforma todos os meus medos em força.
E quando julgo que não há uma única razão para que o sangue continue percorrendo as minhas veias, tu tocas-me em silêncio e os teus braços envolvem-me convertendo o desespero em serenidade.

Os segundos não passam, o meu mundo é agora apenas escuridão, escuridão essa que me envolve convertendo os meus sonhos em pesadelos.
O teu último olhar é o motor de arranque para atirar os teus dias para fora dos meus. Mas a saudade dos nossos momentos não tarda em regressar e toda essa força transforma-se em ilusão.
Sinto a tua mágoa, sinto o peso das correntes que me puxam para esse poço tão fundo onde tu não vives e a solidão é a única companhia. Sempre que choras, sempre que te magoam é o meu sangue que jorra das tuas feridas.
Tu és aquele que eu preciso e eu tentei ser aquela que tu querias mas, tentar igualar-me à tua perfeição de nada valeu.
O teu mundo continua análogo. Essa indiferença arranca as asas dos meus sonhos. Um pouco de mim aniquila-se a cada segundo que passa sem te ter do meu lado.
Ver-te sorrir alimenta-me a alma, mas saber que não signifiquei nada e que em tão pouco tempo o teu sorriso consegue ser tão sincero esmaga-me o coração.

O percorrer do sangue em minhas veias reflecte o rasgar do teu sorriso, um sorriso tão angelical que subtrai aos olhares alheios todos os teus mistérios ocultos.
Tens um brilho no olhar, um brilho tão puro e com tanta serenidade para oferecer mas que em certos instantes escurece. Essa tua obscena opção converte-o num poço obscuro que reflecte o encurtar dos teus dias e a tua transformação em cinza.
Sem dares conta vais descendo ao túmulo.

Sou um alma condenada as portas do Progatório mas que por vezes vagueio na terra, com forma humana. Sou quem não quero ser, sou a tua rejeição.
Caminho do teu lado sem que me sintas e essa tua maldita escolha corrói-me o peito enquanto te manténs indiferente ao mundo alheio.
Um mero olhar teu reflecte no meu peito todo esse mal que aos poucos te faz descer ao túmulo sem que te apercebas.

A dor arde nas minhas entranhas, lágrimas de sofrimento e dor rolam em meu rosto, as feridas continuam sangrando. O tempo corre veloz e as memórias estão presentes nesta alma estilhaçada que sou. Os laços foram quebrados, a indiferença separou-nos. Sou a sombra de alguém que outrora decidiu partir para outro mundo. O meu sangue gela e o meu coração endurece e esta maldita mágoa perdurará para sempre.

Um fervor de mágoa palpita no meu coração, sobe pelo meu peito, queimando a minha garganta e explode nos meus olhos, fragmentando-se em milhares de gotas que deslizam pela minha face, gotas essas a quem alguém outrora decidira chamar-lhes lágrimas. Essas lágrimas, puro reflexo da angústia do meu coração, secam ao serem expostas a um longo suspiro penoso.
Por isso choro, choro porque o meu coração se despedaçou juntamente com a pura ilusão de que juntos iríamos ser felizes.
Se não tens coragem para me amar, então não me ames, não faças nada que possibilite o renascimento da obscena ilusão que outrora me destruiu.
Não me ames, não me olhes, não me fales, não faças nada. Deixa que eu fique a pensar que não sentes nada por mim, é mais fácil esquecer alguém que me ignore do que esquecer alguém que goste de mim. Por vezes, julgo que não sou indiferente dentro do teu peito e por isso aguardo-te. Deixo a vida suceder enquanto me mantenho imóvel neste mundo á parte onde a ânsia da tua chegada é o único motivo pelo qual o sangue continua correndo em minhas veias.

Os momentos mais sombrios da minha existência são momentos como este, momentos em que duvido de mim mesma. Sinto-me vazia e repleta de medo. Sinto-me triste, contudo as lágrimas teimam em não cair. Anteriormente chorava como forma de suavizar esta dor que aperta o meu coração, esmaga os meus ossos e que aos poucos me faz descer ao túmulo, mas actualmente não consigo chorar, as lágrimas secaram e foi na escrita que reencontrei uma forma de libertar todo o mal que me atormenta.